Cuidados na saúde da mulher


Muito cedo nos damos conta de que somos mulheres porque a cultura nos ensina uma série de hábitos muito peculiares as mulheres: cuidar, se comportar, ser bonita, ser bondosa, etc. Este é um papel chamado no Psicodrama de papel social. Antes de exercermos, conscientemente, os papéis sociais desempenhamos os chamados papéis psicossomáticos. Estes se referem as características orgânicas do nosso ser, pois o corpo está em evidência nesses papéis. Chorar, fazer cocô, fazer xixi, mamar são exemplos de como os papéis psicossomáticos são desempenhados em tenra idade de vida. À medida que crescemos, estes papéis vão co-existindo com os outros e vão recebendo menos importância pois a cultura, cada vez mais, nos mobiliza para as necessidades externas, sociais a nós e vamos dando ênfase aos papéis sociais. Não dar visibilidade aos nossos papéis psicossomáticos durante a infância, principalmente relacionados a genitalidade, nos faz, enquanto mulheres adultas nos esquecermos ou sermos indiferentes a o que essa dimensão do nosso corpo representa. Talvez só voltemos a nos dirigir a ela porque há, na adolescência, um imperativo biológico, que é a menarca para nos fazermos lembrar que essa parte existe.


A orientação para que não negligenciemos socialmente essa parte tão importante do nosso corpo é que a menina aprenda a nomear seus órgãos genitais e cuide com carinho do mesmo jeito que cuida do cabelo, por exemplo. É importante que a genitália feminina seja cuidada pela própria menina já na infância e que perguntas sobre ela e sobre sexualidade sejam respondidas da forma mais tranquila possível.


O corpo feminino vai então, se transformando na adolescência e, novamente, os papéis psicossomáticos voltam a ser evidenciados devido a menarca. Há uma enorme revolução no corpo da mulher nessa etapa, assim como acontece durante a gravidez e durante a menopausa. O corpo feminino vai impondo e não pedindo espaço e atenção durante toda a vida da mulher. A revelia dessa imposição, muitas de nós continua dando atenção ao que ocorre externo a nós, no mundo social, e continuamos a dar muita ênfase aos papéis sociais.

A cada mês, esse clamor corporal por atenção é renovado e, a depender de como foi a história da relação da mulher com seus papéis psicossomáticos, este clamor pode ser uma tortura ou pode ser um momento de pausa para maior autocuidado, maior atenção ao que o corpo está pedindo. Quando não damos a pausa que nosso corpo pede, ele cobra e pode cobrar de forma tão acirrada quanto é negligenciado. Podem aparecer doenças psicossomáticas ou emocionais que são verdadeiras metáforas que nosso corpo utiliza para expressar que há necessidades não atendidas e que estão pedindo atenção.


Além dos papéis psicossomáticos, o Psicodrama apresenta os chamados papéis psicodramáticos que são aqueles do nosso mundo afetivo, gerados a partir de experiências infantis. Esses é que são negligenciados mesmo pois não os vemos como vemos o nosso corpo (que geram os papéis psicossomáticos) e enxergamos as pessoas com as quais nos relacionamos (papéis sociais). Os papéis psicodramáticos geralmente só são revelados no processo psicoterapêutico, que é o espaço, por excelência, de autodescoberta possibilitado por um (a) psicoterapeuta sensível e de boa formação. Estes papéis psicodramáticos também clamam por expressão e atenção quando não sabemos o que fazer com sentimentos intensos como a raiva, a tristeza, a angústia e até a alegria.


É possível cuidar dessas vivências no dia a dia também por meio de pausas, de momentos em que a mulher consegue silenciar as demandas dos papeis sociais e tenta se conectar com as dimensões de seu corpo e de suas emoções. Meditação, alongamentos, banhos mais lentos, prática da respiração diafragmática, leitura de livros prazerosos, escrita de um diário, prática de sua espiritualidade, se concentrar no que está fazendo ou fazer uma coisa de cada vez tudo isso e muitos outros hábitos contribuem para a saúde física e emocional da mulher.


Sinais de alerta de que precisamos procurar ajuda profissional: muito comprometimento das atividades rotineiras de trabalho e sociais; tristeza e angústia que não passam. Nossos sentimentos são para nós como o painel do carro é para o veículo: informam o estado em que nos encontramos, se há algo precisando de concerto, de uma revisão. Outros sinais de alerta: falta de concentração, memória comprometida com muitos esquecimentos, pessoas que amamos se queixando de que estamos ausentes ou nervosas.

Podemos ser nossas próprias mães: mais respeitosas e acolhedoras. Acolher nossos erros, fragilidades, dificuldades e valorizando nossas potencialidades.

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